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  • Melanie Figueiredo

Pandemia, subnutrição e obesidade

Transcrevendo o texto de José Graziano da Silva “…a pandemia do corona vírus mostrou o custo elevado de mortes associadas a má nutrição, no espectro que vai da fome à obesidade. A medida que aumenta o número de mortos vão se consolidando as estatísticas de que além dos idosos, são os obesos e os pobres os que mais morrem. E como nas sociedades afluentes, o sobrepeso já se tornou “normal” (e não é visto como um grave problema de saúde pública, especialmente quando associado a outras enfermidades não transmissíveis como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos diversos), o efeito do corona vírus tem sido muito mais devastador do que se conseguiu prever inicialmente. Nova Iorque que o diga!”

A falta de acesso a alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição, de acordo com o Instituto Camões a subnutrição é a causa da morte de mais de 3 milhões de crianças por ano e provoca danos mentais e físicos irreversíveis em milhões de pessoas. Além disso, diariamente, uma em cada oito pessoas passa fome por não conseguir obter ou comprar alimentos nutritivos em quantidade suficiente.

A fome e a subnutrição são inimigas do desenvolvimento humano e podem causar instabilidade e conflitos, refletindo-se não só na qualidade de vida das pessoas mas também nas perspectivas de desenvolvimento das sociedades e no potencial de crescimento dos seus países.

Encontrar alimentos a preços comportáveis, que promovam a saúde e a boa nutrição, para uma população mundial em crescimento, permanece um grande desafio internacional.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), os alimentos produzidos mundialmente dariam para alimentar entre 12 e 14 mil milhões de pessoas. Existe, portanto, comida suficiente no mundo de hoje para que todos possam ter a nutrição adequada para uma vida saudável e produtiva.

Entretanto, é preciso que a produção e a distribuição de alimentos sejam mais eficientes, sustentáveis e justas. Isso significa apoiar pequenos agricultores - que são maioria nos países em desenvolvimento - e assegurar que eles tenham acesso adequado aos mercados para que possam vender seus produtos. É preciso também combater o desperdício alimentar, que representa perdas enormes quer em termos económicos, quer ambientais e sociais.

O aumento da produção de alimentos, que tem sido evidente ao longo das últimas décadas, não foi suficiente para erradicar a fome e resolver os problemas de insegurança alimentar. O enfoque no crescimento da produção gerou outros problemas, como a grande dimensão das perdas e desperdício alimentar, o aumento da pegada ambiental dos sistemas agrícolas e alimentares, ou a degradação de recursos naturais como os solos ou a água. Para além disso, o uso alargado de fertilizantes, pesticidas e químicos ameaçam cada vez mais alguns tipos de colheitas dependentes da polinização, afetam a biodiversidade e os ecossistemas, bem como a saúde humana. Assim, o enfoque terá de ser mais na transformação dos sistemas agrícolas e alimentares do que propriamente num aumento da produção.

Por outro lado, as pessoas podem passar fome mesmo quando existe muita comida, já que o problema é frequentemente uma questão de acesso: falta de condições financeiras para comprar comida, impossibilidade de deslocação até os mercados locais, etc.

Por fim, não é apenas a quantidade mas também a qualidade dos alimentos que está em causa. Uma boa nutrição significa ter a combinação certa de nutrientes e calorias necessárias para um desenvolvimento saudável.

Angola e a FAO têm-se empenhado em estreita cooperação desde que o país aderiu à Organização em 1977. Devido aos 27 anos de guerra civil, as intervenções iniciais da FAO concentraram-se na assistência de emergência, incluindo a reinstalação de famílias rurais vulneráveis e o fornecimento de insumos agrícolas para a rápida retomada da produção alimentar. Desde então, tem havido uma mudança no sentido da recuperação e de uma recuperação a longo prazo dos objectivos de desenvolvimento, incluindo assistência na formulação e implementação de projectos em conformidade com as políticas e programas do Governo. Em 1982 foi criada uma Representação de país da FAO.


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REREFÊNCIAS:

1. Agora, defender-se do vírus...E depois? - Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8659467/22341

2. Segurança Alimentar e Nutricional – Disponível em: https://instituto-camoes.pt/activity/o-que-fazemos/cooperacao/cooperacao-portuguesa/o-que-fazemos/seguranca-alimentar-e-nutricional

3. Segurança alimentar e nutricional e desenvolvimento – Disponível em: http://www.fecongd.org/pdf/publicacoes/Estudo_Seguranca_Alimentar.pdf

4. Angola e a FAO: Parceria para a resiliência e o desenvolvimento rural sustentável – Disponível em: http://www.fao.org/3/ax749pt/AX749PT.pdf




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